segunda-feira, 11 de março de 2013

Paulista

Paulista é uma das cidades mais populosas de Pernambuco. Fica a cerca de 16 km do centro do Recife, num trajeto que varia de 20 minutos a 1 hora, dependendo do trânsito.
O município é mais conhecido pelas suas praias, que, curiosamente, são mais próximas de Olinda que do centro de Paulista, sendo até mesmo mais frequentadas pelos olindenses e moradores dos bairros litorâneos que pelos moradores de seus demais bairros.
O acesso às praias é feito pela PE-001, que liga o Marco Zero do Recife ao Pontal de Maria Farinha, e pelas rodovias PE-015 e PE-022 que ligam o centro de Paulista a Maria Farinha.
Igreja de Santa Isabel de Portugal (1950); Imagem de N. Sra. dos Prazeres; Jardins do Coronel; Uma das chaminés das antigas fábricas de tecidos da família Lundgren.
O centro da cidade fica juntinho à PE-015, que, embora sendo duplicada, só possui duas pistas em cada sentido, não comportando o tráfego intenso em determinados horários.
Há um terminal de ônibus próximo ao centro, na PE-015, "facilitando" o acesso ao Recife e outras cidades metropolitanas.
Estádio Ademir Cunha
Visitamos o centro em um sábado bem cedinho. As placas na rodovia facilitaram a nossa entrada na cidade e pudemos registrar algumas das construções relevantes da História do município, como as Chaminés das antigas fábricas Aurora e Artur, da Companhia de Tecidos Paulista, da Família Lundgren; a bela Igreja de Santa Isabel de Portugal (Matriz da Paróquia de Nossa Senhora dos Prazeres), toda em tijolos aparentes; o casarão da Praça João Pessoa; e, o Estádio Ademir Cunha, antiga casa do Clube Paulistano, e, que hoje abriga os famosos América e Íbis.
O belo casarão data do século XX e foi construído para a moradia da família Lundgren, tendo como último morador o Comendador Artur Lundgren.
Localizado em frente ao Casarão, O Jardim  funcionava como um zoológico e parque de diversões para os filhos dos funcionários da CTP (Companhia de Tecidos do Paulista). Está fechado para visitação pública desde 1967, conforme informação da Prefeitura de Paulista.

Praça Agamenon Magalhães; Teatro Paulo Freite; e, Casa Grande e Jardins do Coronel Lundgren
Para quem for à passeio ao centro de Paulista, recomendo ir bem cedo nos fins de semana ou ir de ônibus, se não for de carro, em dias de semana.
Um grande problema das cidades maiores que visitamos são os fios e postes que atrapalham a visão de construções interessantes, como esses à frente do Teatro Paulo Freire.
No centro ainda há o prédio da primeira loja dos Tecidos Paulista, que veio a se tornar, tempos depois a rede de lojas Casas Pernambucanas. Hoje funciona como Agência do Trabalho.
Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Médicos (1812); Igreja de N. Sra Aparecida; Ruínas da Igreja de N. Sra dos Prazeres (1656); e, Canhão do Forte de Pau Amarelo.
A partir de Olinda, seguimos para a Praia do Janga, já em Paulista. A divisa dos dois municípios se dá pela ponte sobre o rio Doce, separando o bairro de mesmo nome em Olinda  e o bairro do Janga em Paulista.
A praia do Janga, como várias praias da Região Metropolitana do Recife, sofre um processo de erosão marinha, o qual está sendo contido por arrecifes artificiais, conhecidos como diques.
A praia atualmente possui areia retirada do fundo do mar, em um processo de "engorda", e, suas águas são, em geral, calmas por conta dos diques.
Por conta da influência do rio Doce, atualmente bem poluído, e da água quase parada, não é recomendável o banho constante no mar do Janga. 
Seguindo mais adiante, sentido norte, chegamos à Praia de Pau Amarelo, mas antes registramos imagens da Igreja de N. Sra da Conceição, na PE-001 e do Forte de Nossa Senhora dos Prazeres, mais conhecido como Forte de Pau Amarelo.
A praia do forte é o local mais frequentado de Pau Amarelo, há várias barracas bem movimentadas à beira-mar, e a visitação ao forte é livre.
Forte de Pau Amarelo (Forte de Nossa Senhora dos Prazeres. Construído entre 1719 e 1738, sendo reconstruído entre 1808 e 1866).
Seguindo adiante, chegamos à Praia de N. Sra. do Ó, onde há vários condomínios e a bela Igreja de mesmo nome juntinho à rodovia.
Essa Igreja conta com um pequeno e charmoso cemitério do seu lado esquerdo.
Igreja de Nossa Senhora do Ó (1811).
Já perto de Maria Farinha, saímos da rodovia entrando em uma rua de acesso à Praia  de Conceição e encontramos essa bela Igreja.
A Igreja de Nossa Senhora da Conceição, datada de 1842, fica em um grande terreno à beira-mar. No entanto, não foi possível chegar mais perto, uma vez que o portão de acesso estava fechado.
Fica localizada na Rua João Sérgio de Farias na Praia de Conceição, foi construida no ano de 1842 com pedra de pedreiras. Destaca em frente de sua fachada principal um belo cruzeiro construido com o mesmo material da Igreja.
Na frente para o mar, do terreno da Igreja, há dezenas de barracas de praia horríveis. Não chegamos à praia nesse lugar, devido à decepção de ver aquela bagunça na frente do mar.
Igreja de N. Sra. da Conceição dos Milagres (1842); Praia de Maria Farinha.
Nosso destino, nesse dia, era o Pontal de Maria Farinha. A rodovia acaba próximo a ele, em uma área cheia de casas de veraneio.
Do pontal dá pra ver a Coroa do Avião e Nova Cruz, em Igarassu, e a Ilha de Itamaracá.
Por ser uma área de encontro do rio Timbó com o Mar, o areal tem constante modificação. Infelizmente nesse dia o mar no local estava impossível de se tomar um banho. Ao contrário de outras vezes em que fomos ao pontal, o rio Timbó estava cheirando a esgoto e o lixo era intenso sob a água.
Já voltando, passamos pela Igreja de São João da Barra Mansa, bem próximo ao embarque da balsa do rio Timbó, que leva a Nova Cruz, em Igarassu.
Igreja de São João da Barra Mansa (1888); Pontal de Maria Farinha.

Sobre as Ruínas do Porto Artur:
Na PE-022, que liga a PE-015 e o centro de Paulista às praias na PE-001, constam placas indicativas do caminho para o Porto Artur. Mas, por em princípio não parecer seguro no final da tarde, não pegamos esse caminho, que ficará para uma outra oportunidade. Mas, para não deixar passar em branco, trazemos as informações do site da Prefeitura de Paulista sobre o local, que pode ser visto também no site do Wikimapia.
"Localizado na parte leste do rio Timbó, distante 3 mil metros de sua foz, foi construído, pela família Lundgren no início do séc. XX, com 1 km de extensão e todo o seu maquinário foi trazido da Inglaterra. O ancoradouro servia para facilitar a aproximação dos barcos que aqui chegavam, munidos de mercadorias para o abastecimento da cidade.
Esse transporte intensificou-se durante a Segunda Guerra Mundial, quando havia o temor da escassez de alimentos. Na época da instalação do porto, Paulista tinha cerca de 32 km de estradas de ferro, que alcançavam as estações dos municípios vizinhos, passavam pelo centro da cidade, indo até àquele cais. Pelo porto entraram os materiais utilizados nas construções dos prédios da família Lundgren, da Igreja de Santa Izabel, das chaminés das fábricas e até mesmo em algumas casas.
No povoado de Porto Arthur existiam, no início de sua povoação, 16 casas com famílias de pescadores e trabalhadores do cais. Por esta razão foi construída, em 1950, uma escola rural com o nome  Arthur Lundgren - último filho do patriarca sueco Herman Theodor Lundgren.
A escola foi desativada no início da década de 60, com o fechamento do cais. 
A área é um verdadeiro santuário da natureza, contendo ainda em toda a área do rio Timbó resquícios de mangue bem preservados, além de árvores típicas da Mata Atlântica." (Prefeitura de Paulista)



Histórico de Paulista:
"A história do Paulista começa no ano de 1535, quando o município ainda fazia parte da estrutura de Olinda. O donatário Duarte Coelho doou ao seu cunhado, Jerônimo de Albuquerque, as terras de Paratibe, em reconhecimento aos serviços prestados por ele à Colônia. Em 1550, Jerônimo de Albuquerque, por sua vez, doa essas terras ao português Gonçalo Mendes Leitão, que casou-se com sua filha, Antônia de Albuquerque. Iniciou ali um grande povoado, com a construção de um engenho dágua (com o nome de Paratibe), uma capela (dedicada a Santo Antônio) e um sobrado. Em 1555 era fundada a primeira freguesia*. 
Após alguns anos, a propriedade de Paratibe passou a denominar-se Paratibe de Cima, sendo esta parte desmembrada, cabendo a um dos filhos de Gonçalo Mendes, que levantou um engenho e deu ao mesmo o nome de Paratibe de Baixo.
Com a morte de Gonçalo Mendes, alguns lotes de terra foram vendidos, passando grande parte daquela propriedade para o domínio de outras pessoas. Nessa época, o Coronel Francisco Berenguer adquiriu, a titulo de compra, uma porção de terras em Paratibe de Cima, que se estendia até o riacho “Lava-Tripas”, fundando o Vínculo de Paratibe. Tal área abrangia os terrenos “Cova da Onça”, bem como os sítios do “Viana”, “Ferraz” e “Mirueira”, além de toda a extensão desde a estrada pública até o lugar denominado “Água do Curral”.
Posteriormente, o engenho Paratibe de Baixo e toda a propriedade de Maranguape pertenceram ao mestre de campo João Fernandes Vieira, que construiu ali um sobrado para sua residência e uma capela dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres.
Após a sua morte, em janeiro de 1681, sua viúva fez escritura de dote para uma filha natural de João Fernandes, de nome Maria Joana Cezar, por seu casamento com o Capitão-Mor Jerônimo Cezar de MeIlo. Com o falecimento de Dona Maria Cezar, ocorrido em 1689, o Coronel Francisco Berenguer, irmão da falecida e testamenteiro, vendeu o referido engenho ao mestre de campo Manoel Alves de Moraes Navarro, natural da Capitania de São Paulo, de onde veio comandado por um terço de primeira linha para a chamada “Campanha dos Palmares”.
Naquela época, era muito comum o uso da expressão: “vou para o Engenho do Paulista” ou “venho de Engenho Paulista”, o que originou, mais tarde, o povoado do Paulista, Vila do paulista e a partir de 1935, município do Paulista.
Um fato importante na história do município aconteceu em 20 de maio de 1817, quando o padre João Ribeiro Pessoa de Mello Montenegro, participante da Revolução Pernambucana, suicidou-se ao tomar conhecimento do fracasso do movimento. Seu cadáver, sepultado na capela do Engenho Paulista, foi desenterrado e mutilado; a cabeça, separada do tronco, foi levada para o Recife e colocada no pelourinho por ordem do almirante Rodrigo Lobo, comandante da esquadra enviada da Bahia pelo conde dos Arcos, para reprimir a revolução. A lei nº 3.843/2005 determina o dia 28 de fevereiro como feriado municipal, em comemoração ao nascimento do Padre João Ribeiro, herói da Revolução Pernambucana de 1817.
Em 1904, o sueco naturalizado brasileiro Hermann Theodor Lundgren comprou a maioria das ações dessa indústria têxtil, inaugurando um novo período da história daquela povoação. Nas mãos do novo proprietário e de seus filhos (Alberto, Frederico e Arthur Lundgren), as máquinas obsoletas da fábrica foram substituídas por equipamentos modernos, importados da Inglaterra, os quais produziam algodões brancos, lisos e trançados. Uma das primeiras medidas do novo proprietário foi à construção de uma vila com 500 casas de tijolo e telha para a moradia dos operários, em substituição às palhoças que ali existiam. Herman Theodor Lundgren faleceu em 1907, com 72 anos de idade e sua obra teve continuidade e expansão com seus filhos e netos.
Dois anos depois, em 1909, foram criadas as “Lojas Paulistas”, originárias dos famosos tecidos de marca “OLHO”, que tinham a matriz em Paulista e filiais em quase todas as principais cidades do Brasil. Na região Sul, elas recebiam o nome de “Lojas Pernambucanas”. 
No Porto Arthur, próximo ao Pontal de Maria Farinha, os barcos da Companhia de Tecidos Paulista transportavam para outros centros consumidores madeira extraída da Mata Atlântica, além de outros produtos. As Locomotivas da CTP recebiam cargas de madeira de lei ou lenha para queima, cereais e outros gêneros alimentícios vendidos nas feiras livres ou utilizadas para suprir os barracões (espécie de venda onde os operários faziam suas compras semanais.Os vagões eram carregados nas estações de Chá de Estevão (atualmente Araçoiaba) e Chá de Trepa-e-desce, além de outros povoados: Arregalado, Engenho Novo, Pindobinha e Itapiré, Machado, Caiana, Aguiar, Aldeia e Seringa.
Tendo em vista a grande produção das fábricas, os filhos do Sr. Herman Lundgren buscavam mão-de-obra no interior de Pernambuco, Paraíba e adjacências.
Dentro dos muros da Fábrica Aurora, ainda hoje é possível ver a estação e os trilhos, bem próximos ao portão.
No final da década de 70, a criação do Distrito Industrial de Paratibe transformou Paulista em um importante pólo industrial da Região Metropolitana do Recife. Ao mesmo tempo, a implantação de conjuntos habitacionais da COHAB* aumentou consideravelmente a área urbana, o que resultou num grande acréscimo da população"
. (Fonte: Prefeitura de Paulista)

10 comentários:

  1. Parbéns Pelo Registro De Nossa História.

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    1. Obrigado.
      Nosso objetivo é compartilhar, principalmente com os pernambucanos, as belezas do nosso Estado.

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  2. Obrigado, Valdenize!
    Ainda tem muita coisa em Paulista para ser desbravada. Sempre estamos procurando atualizar o conteúdo.

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  3. TRABALHO SENSACIONAL, SÓ FALTOU O MAPA DA CIDADE.

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    1. Obrigado, Avani.
      Ainda tem monumentos em Paulista que não visitamos.
      Infelizmente não encontramos um mapa turístico decente do município. Algo até simples e barato de se fazer por parte da prefeitura, mas...
      Vamos tentar elaborar algo assim, apenas nos falta tempo, rsrs
      Obrigado mais uma vez pela visita e peço que compartilhe com os amigos para que mais e mais pessoas conheçam nosso lindo estado!

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  4. Parabéns pelo trabalho! Gostei muito do seu texto trazendo nossa cidade para o campo das redes sociais vom o que ela tem de melhor. Meu nome é Mariana, sou historiadora e estou na busca de materiais sobre as ruínas da Igreja Nossa Senhora dos Prazeres, você teria mais informações a respeito das ruínass Adoraria ter acesso a
    documentação a respeito dela :)
    Qualquer coisa entra em contato comigo marianafreisi@gmail.com
    obg

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    1. Mariana, obrigado pelas palavras. A intenção é mostrar as belezas das nossas cidades aos pernambucanos.
      Quanto à Igreja de N. Sra. dos Prazeres, ainda não tive a oportunidade e coragem de ir até suas ruínas. Certa vez lí algo a respeito de sua História e as causas do incêndio que levaram à sua ruína, mas como estava focado em outra partes da cidade do Paulista, deixei pra depois e perdi a página da web que falava dela.
      Caso encontre algo, te enviarei.
      :)

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  5. Parabéns pelo excelente trabalho de pesquisa, gostei e recomendo esta pesquisa para meus amigos, sou morador do Janga.

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    1. Obrigado. Ainda tem muita coisa boa para mostrar sobre Paulista. Continuamos trabalhando para dar cada vez mais informações.

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